O Brasil, tão ágil na adoção do selo postal em 1843, apenas três anos após lançado na Inglaterra em 1840, não procedeu da mesma maneira com o cartão-postal. Criado em 1869, na Áustria, nosso país só o adotou onze anos depois, quando ele já era um sucesso consagrado na Europa. O decreto 7695, de 28 de abril de 1880, criou o bilhete postal, precursor do cartão-postal. Neste mês de abril, portanto, comemoramos os 130 anos do cartão-postal brasileiro.

Na exposição de motivos que o Ministro Buarque de Macedo encaminhou ao Imperador D.Pedro II, visando obter autorização para a confecção e circulação de postais no Brasil, mencionou “Segundo Vossa Majestade Imperial se dignará ver, a primeira de tais alterações é a que estabelece o uso dos bilhetes postais geralmente admitidos nos outros Estados e ainda em França, onde aliás houve durante algum tempo certa repugnância ou hesitação em os receber. Os bilhetes postais são de intuitiva utilidade para a correspondência e, longe de restringir o número de cartas, como poderá parecer, verifica-se o contrário, que um de seus efeitos é aumentá-lo”.

A impressão dos primeiros bilhetes postais era exclusividade do Correio do Império Brasileiro, com o porte impresso. Era uma simples cartolina formato 8,5 X 12 cm, uma das faces para o endereço do destinatário e a outra para a mensagem. Havia três classes. Uma, de cor vermelha, para a correspondência urbana, preço de 20 réis. Outra, cor azul, para a correspondência no interior das Províncias do Império Brasileiro, preço de 50 réis (metade do porte de uma carta simples). O terceiro porte, cor laranja, para a correspondência internacional, custando 80 réis. Havia possibilidade do remetente pagar o porte de remessa e resposta, nesse caso custava o dobro do valor dos três portes citados anteriormente.

A aceitação do postal no Brasil foi muito grande. Apenas quatro anos de sua criação, tendo como exemplo o Rio de Janeiro, sua circulação em 1884 quase ultrapassou o número de cartas comuns. Foram 282.248 cartas particulares e 212.662 bilhetes postais (conf. Elysio Belchior, na introdução do livro “O Rio de Ontem no Cartão-Postal 1900-1930”). As fotografias de cidades e paisagens só começaram a ser impressas no final do século 19.

Outra data importante para a cartofilia brasileira foi 14 de novembro de 1899, quando o Governo Republicano, através da Lei 640, autorizou a produção de bilhetes-postais pela indústria gráfica particular.

Alguns anos antes, no entanto, já circulavam postais brasileiros feitos em editoras particulares, mas impressos no Exterior. Entre eles, os da série Süd Amérika, editada em Hamburgo, na Alemanha, mostrando vistas de Recife, Salvador, Pará e Rio de Janeiro.

O mais antigo postal conhecido, entre os produzidos no Brasil, é do Estabelecimento Gráfico V. Steidel, de São Paulo, mostrando o edifício do Tesouro de São Paulo. Esse exemplar, circulado com a data de 24.11.1898, foi produzido por uma gráfica particular um ano antes da autorização oficial do governo federal.

Os mais antigos postais produzidos por editores estabelecidos no Rio de Janeiro, então capital federal, são do fotógrafo Marc Ferrez, circulados em dezembro de 1900. Outro editor foi León de Rennes, com a empresa L. de Rennes & Cia, encontrado em postal circulado em 1901. Importantes editores dessa época foram S.Gradim & Cia, Casa Guimarães & Ferdinando, Wagner & Cia. A partir de 1902 entra em ação A. Ribeiro, que vai deixar uma grandiosa série de postais mostrando os mais variados aspectos da cidade do Rio de Janeiro e arredores.

No ano de 1909, quando a população brasileira girava ao redor de vinte milhões de habitantes, circulou pelo Correio a impressionante soma de quinze milhões de cartões-postais.

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(*) José Carlos Daltozo é jornalista, historiador e colecionador de cartões-postais. Já publicou sete livros históricos, os dois últimos sobre ferrovia e imigração japonesa. O texto acima foi baseado em seu livro “Cartão-Postal, Arte e Magia”, editado em 2006. Contatos com o autor pela Caixa Postal 117 – 19500-000 – Martinópolis – SP – E-mail: jcdaltozo@uol.com.br